Diariamente eu faço as mesmas coisas, do mesmo jeito. E naturalmente meu dia se faz ou desfaz, tendo situações maravilhosas e outras entediantes. Como de praxe trabalhei e numa sexta-feira fria fiquei em casa, não por querer e sim por falta de dinheiro, para variar, só um pouquinho.  Então ali eu estava a noite conversando com uma amiga minha exagerada, e um tanto intensa nas suas colocações. Mayra. Ela me informou que estava de saída e já logo pensei “poxa vida nada pra fazer ninguém mais pra conversar nem aqui na internet”, tudo bem fiz um chocolate, peguei uma bolacha e fui pra frente da Tevê.

Resgatei algumas memórias da minha antiguidade, da minha idade média, adolescência, fiquei pesando em amores e desamores, em toda aquela coisa maluca que eu vivi, em todos as desmesuras que cometi. E por um pequeno momento me senti eufórico, durou pouco. Afinal começou o Programa do Jô, legalzinho, engraçadinho, com piadinhas, enfim. Em um dado momento, veio a minha revolta, Roberto Justus cantando. Cara! Senti-me um lixo, eu não sei cantar, porém tenho bom ouvido, e aquele “almofadinha” cantando mal como se fosse um astro, me revoltei com tal atentado a minha concepção musical.

Ali, quando estava quase emputecido de tantos pensamentos conturbadores, sobre minha vida, sobre o tédio e tudo o mais implícito num momento como aquele. Eis que surge sem mais, nem menos, um especial Som Livre. Contudo, parecia chato, se descontarmos a presença do Ana Caña, algo que tem Tony Platão, Ney Mato Grosso e Bidê ou Balde, com certeza não é do meu gosto. Mas, foi.

Especial Som Livre Cazuza, sim, logo lembrei da tal exagerada amiga, saiu me deixou solo e perdeu. Aposto que vai morrer de inveja. O que aconteceu foi uma explosão de revolta e sentimento, dentro das performances, não pelos cantores em si, mas sim pela obra de Cazuza, que é imensurável e indiscutível. Eu ali, adorando aquele amor inventado já comecei a relacionar as coisas que pensei, com as idéias que criei durante o período de tédio. Fiquei pensando, porque algo daquela magnitude não é explícito, passa as 2 da madrugada de modo que ninguém veja, afinal, pro Cazuza não ofereceram nem um cigarro, mas mesmo depois de morto ele foi à melhor coisa da programação nessa madrugada.

Cerca de uma hora parado em frente à tevê, coisa que dificilmente eu faço, não perdi a atenção nem nos comerciais, por fim tudo que posso dizer é que no próximo dia 07 de julho, fará 18 anos da morte de um dos maiores compositores, que o mundo já viu (se for exagero desculpe, mas é minha opinião). Enfim, meu dia que caminhava para o chato dia de sexta, virou um ótimo e reflexivo dia. Mesmo me sentindo um lixo, pelo Roberto Justo, e pela minha total incapacidade de compor como fez Cazuza.

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