Cidade limpa é isso aí!

 

São Paulo sempre sofreu com problemas na habitação, nos últimos 3(três) anos esse problema recebeu um agravo.  A atual administração pública (Serra/Kassab) decidiu que o ideal, para a cidade, é a limpeza do centro da cidade, ou seja, remover tudo aquilo que eles consideram lixo. Essa limpeza atingiu desde os papeis jogados no chão, até as pessoas que foram jogadas na rua por um motivo ou outro.

Ao andar pelo centro da cidade, fica visível a proporção de investimentos ali despejados para limpar o centro. Prédios não contêm outdoors, não existem pessoas em alguns edifícios. Existem inúmeros prédios que foram “higienizados” no centro da cidade. Mas, para ter noção de como foi esse processo é necessário muito mais do que andar pelo centro. Graças ao problema da habitação inúmeros edifícios foram ocupados no centro da cidade, por moradores de rua ou pelos movimentos sem teto. Na atual administração foram expulsos diversos moradores pobres do centro da cidade, e os motivos do banimento variam desde a diminuição do orçamento destinado a habitação, que é o menor da ultima década, até a criminalização de movimentos.

Há um prédio situado no final do largo do ouvidor, que é o retrato clássico da lavagem social feita pelo governo. Hoje o prédio está em um estado deplorável, às janelas do primeiro andar e as portas estão trancadas com cimento, os poucos vidros que ainda existem estão quebrados, o prédio é sujo e fica bem próximo da prefeitura. O que surpreende é que isso é resultado do asseio feito pela prefeitura, antes no prédio residiam pessoas que faziam parte do MMC(Movimento de Moradia do Centro). Lá existia uma escolinha de alfabetização e em 2002 o prédio já era reconhecido como Zona Especial de Interesse Social no Plano Diretor do Município de São Paulo.

Há também a limpeza de informações, na segunda semana de maio/2008, existiu um protesto de alguns moradores de rua, e curiosamente nenhum policial consegue informar sobre o que aconteceu. Basta dirigir-se até o final da rua libero Badaró onde existe um posto policial e perguntar pra o casal de policiais que ali trabalham a resposta é simples “não vi nada disso acontecer por aqui”. Continue a caminhada sentido ao Pateo do Colégio, lá há uma barraca de artesanato onde trabalha a Cris(não dá o nome inteiro pra ninguém, diz que na rua o apelido é o nome inteiro), pergunte pra ela se ela trabalha naquele local ela te responderá: “eu moro aqui”. Em frente a um prédio similar ao do Largo do ouvidor, onde ocorreu o protesto de alguns moradores de rua que moravam naquele prédio, foram expulsos, pois a prefeitura alegou que ali moravam traficantes. “Tudo que tinha aqui eram trabalhadores, só existia um drogado, que foi morto na rua, e nós que pagamos o pato e aconteceu à mesma coisa em outros prédios o Treme-treme (prédio da avenida do estado) foi um deles” (Cris).

911 é o curioso numero do prédio da avenida prestes maia a maior ocupação vertical da América latina, imóvel de propriedade do vereador Jorge Hamuche e de Eduardo Amorim. Eles não possuíam escritura na época da desocupação. No imóvel existia uma biblioteca com 3.500 livros, 5(cinco) milhões de dívidas referentes a IPTU, 468 famílias que totalizam 1.630 pessoas que viviam no local. E todas as pessoas entraram pelo ralo durante a faxina.