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Archive for abril \09\UTC 2010

Em breve!

abril 9, 2010 Deixe um comentário

Aqui serão postadas as histórias de Rafael um cidadão com a vida cercada de clichês e morais da história!

Todo camburão tem um pouco de navio negreiro…

abril 9, 2010 Deixe um comentário

Eu nunca me pus a falar sobre racismo ou assuntos raciais, vez ou outra, comento, ou mesmo, faço uma piadinha. Mas, de fato divagar sobre isso nunca foi algo que curti, talvez por achar que só o fato de ter que me dispor a falar do assunto, já é, e é, um principio de preconceito. Mas, contudo, toda via, porém, 120 anos da abolição, vamos falar um pouco vai.

Estava encucado, encanado, por causa das minhas namoradinhas, da minha vida e todos seus assuntos perdidos daqueles que se dessem para explicar eu com certeza já teria entendido, quando me vi já estava pensando nesse. Entre ecos e outros trecos que vagavam na minha mente, me peguei nesse assunto. Vamos ao que interessa.

Eu trabalho em uma escola e lá tem um negrinho, serelepe, pimpão, odeia usar tênis, ta sempre de chinelo, volta e meia acusam ele de algo, ou ele mesmo se acusa fazendo alguma peripécia. Sapeca, melhor adjetivo. Lembrei da minha infância, na qual era o moleque mais sapeca da escola e sempre tinha um engraçadinho que me comparava a algum negão famoso, tipo o cara da C&A, essas coisas que todos nós estamos acostumados.

Naquela época esse tipo de piadinha ou de comparação nunca fez mal algum, em alguns casos era até engraçado. No clube onde jogava futebol, a negritude zuava entre si, era fundo de churrasqueira pra lá, resto de incêndio pra cá, picolé de asfalto e outros derivados do pretume. Graças a Deus, essa comparação nunca veio de outras pessoas que não compartilhassem da mesma “cor” ou raça, sei-la. Pra mim, minha raça é “brasileira”, assim como o japonês é japonês.

O problema de ter uma raça no nosso país é a generalização, isso literalmente acaba com qualquer expectativa de “despreconceito”, quando você generaliza você naturalmente é preconceituoso:  “as mulheres são todas complicadas”, “os homens são todos canalhas”, esse tipo de generalização, embora não seja explicita, há com raças também. E isso literalmente, “fode com a vida do neguin”.

Bom, meu pai foi preso e depois desse episódio me vi cada vez mais implícito dentro da generalização, da marginalidade, minha mãe relata que após o episódio, diversas amigas falavam para que cuidasse de mim, pra que eu não tomasse o caminho das drogas ou para que não fizesse o mesmo que meu pai. Tal pai, tal filho é preconceituoso demais, quando se trata de crime e quando se fala de um negro no Brasil, tens que pisar em ovos. Confesso, que episódios como esse abalaram minha mente, muito mais do que o episódio do meu pai em si.

Eu que antes me via como um filho de uma classe média, vivi o inferno de ter que me limitar a doações de amigos, ou roles bancados por pessoas próximas, porque o resto, estava comigo porque eu era o melhor no futebol, ou porque eu era inteligente, ou quaisquer qualidades, aos poucos foram se afastando por não terem mais a confiança. Fui marginalizado, dessa vez não pela minha raça, mas sim por outras coisas.

Por um erro que veio do meu pai, mas não foi um erro meu. Ele errou sim com a sociedade, porém nunca errou como pai, e se teve algo que ele fez foi me educar, deu apenas um mau exemplo que foi esse, tendo em vista tudo que ocorreu depois foi o meu melhor exemplo, negativo, mas ajudou e muito.

Comecei a trabalhar era o que podia fazer pra fugir da sina do “mau menino”. Arranjei um emprego descente e fui trabalhar na imobiliária do pai de um amigo meu – nesse texto não vou citar nomes, pois seria uma metralhadora de acusações -, lá nunca tive problemas com o caso do meu pai e nem com a minha cor, mas um fato aconteceu justamente por causa desse serviço.

Um dia acordei atrasado como sempre acordava, sai de casa como diriam os marginais (me coloco dentro deles viu, sou marginal e não criminoso), sai vazado, correndo pra tentar chegar no horário, me deparei com uma viatura, estranhamente me deixaram andar mais alguns metros, logo vieram atrás, foi quando uzomis me pararam.

O pulícia: – Mão na parede neguinho!

Eu: -… Já de bate pronto coloquei as mãos na parede.

O outro gambé: – Aonde cê vai com essa pressa neguinho? Sim a todo o momento neguinho apareceu na fala deles.

Eu: – Trabalhar senhor. Com ar de pavor, querendo ou não é sempre intimidador esse tipo de situação.

O púlicia: – Ah, se ta tirando, ta achando que tem palhaço falando contigo, com esse blusão quase correndo se vai trabalhar onde?

Eu: – Trabalho próximo a Washington Luiz, e to atrasado senhor.

O Maldito: – Tá bom vamos fazer assim, você me leva lá na tua firma a gente te leva e explica pro seu patrão, se for mentira se vai apanhar, eu vou dar na tua cara to avisando.

Eu: -  Tudo bem. Eu disse com medo, porém mais seguro.

Dirigimo-nos em uma cena que me faz refletir sobre o que o Falcão do Rappa escreveu, quando intitulou uma música como: “todo camburão tem um pouco de navio negreiro”. Os Policiais, com P de portugueses, me levavam num camburão, direto para o trabalho e caso eu não trabalhasse certamente algum cassetete iria virar chibata. Por sorte eu trabalhava e tudo correu bem.

Depois disso confesso que me despreocupei, mesmo assim algumas pessoas ainda se afastavam de mim por causa da minha situação, de pobre, preto e feio.  Eu já começava a me descriminar nessa época, me sentia incapaz de realizar certos feitos, até a segurança com as menininhas, que eu tanto tinha, foi se perdendo com o tempo! Mas, entre um enrosco ou outro acabei arranjando algumas namoradinhas, graças a essas namoradinhas me vi novamente em meio a o racismozinho fanfarrão e mais tarde ao nem tão fanfarrão assim.

Arranjei uma namorada praiana e tals. A mina, linda, legal e loira, já viu né, brincadeirinhas de que loira só namora negão toda aquela papagaiada, e meu namoro firme, até que o pai dela nos viu andando de mãos dadas, sim, apenas fazendo isso, ela me apresentou sem pretensão alguma: – Pai meu namorado. Depois daquilo o pai dela, falava que ela não poderia namorar um paulista que ela nem sabia de onde vinha, e bla bla bla. O fato é me dispus a conhecer ele e mostrar de onde vinha, nem se quer quis. Isso foi triste.

Depois disso, minha namorada seqüencial também era uma loira, de classe média, bonita com pique de modelo, modelo de favela, confesso, ela tinha um estilão pé de barro e eu adorava isso. No fundo ela era mais uma Garotona do apartamento. A todo o momento ela falava em conhecer a mãe dela, que a mãe dela dava o maior ponto pro nosso namoro e que eu teria que ir a casa dela. Um dia ela me para num fast food e diz: – Amor ontem eu tava conversando com um amigo meu no MSN, e coloquei nossa foto, ele perguntou se você era meu namorado e eu disse que sim, ele falou “maior cara de noia”. Eu sem entender o comentário indaguei: – E aí? Ela meio ressabiada disse: – Nada é que minha mãe viu e ficou meio assim, disse que, se era meu namorado não poderia ser boa coisa (sei).

Daí pra frente, meu relacionamento foi mudando dá água pro vinho, por pressão de família, detalhe curioso é que se notar a mudança meu relacionamento “escureceu”. O tempo foi passando e eu fui encucando com aquilo, toda vez que começava a ficar com uma “loirinha” já pensava em nem levar pra frente, de fato num levei nenhum pra frente, algumas eu até corria. Hoje em dia estou enroscado, com uma negrinha, sei-lá. Mas, pelo que parece e ironicamente, ela não quer se apegar muito a mim… Ela quer ser livre… Vê se pode?

O moleque do colégio, risos, podia ser minha cópia, gosta de futebol, prefere computadores. Anda sempre tentando ler algo interessante, é hiperativo e falastrão. Vira e mexe, tenta uma marmotagem, um cambalacho, uma sagacidade para bular os professores. Eu malandramente só o observo, quem sabe aprendo algo mais sobre mim. Quanto ao racismo, só vai parar de existir quando a raça aqui nesse país for apenas Brasileira. Até lá, me chamem de Huskie Siberiano!

Manifesto “carnívoro”

abril 9, 2010 Deixe um comentário

Somos humanos, Normais. Vegetarianos e Canibais. Somos sim, uma corja de vegetativos. Todos idiotas, todos os seres vivos. Esquece a história do light, bom mesmo é Bacon. Somos uma sociedade de acéfalos, na qual se come o oposto. Comemos tudo; e não importa o gosto. Alguns são assassinos de animais. Outros Serial Killers de vegetais. É isso mesmo os vegetarianos, assassinos de plantas. E reclamam só porque nós anormais matamos, patos, vacas e antas.
Viva nossa metralhadora dentária. Faz sempre estrago nos bichanos. E essa campanha Vegan otária. Plantas não pensam; não andam; não sangram; mas, vivem feito humanos. Oswald Andrade fez o manifesto antropofágico. E eu faço esse carnívoro, que não vai ser tão mágico. Mas que tem suas predileções. Quem é que contribui para o aquecimento global? Para o mau funcionamento do sistema ecológico? E agora? Nós que comemos os bois que comem o pasto. Ou aqueles que sem consciência comem plantas a torto e a direito. Não medem gasto. E depois como fica a renovação do ar atmosférico? Eu protesto. Contra o consumo. Eu detesto. Verdura, legume, credo! Sumo. Manifesto agora o crédito, para aqueles que tiram a credibilidade da vida. Aqueles que dizem que plantas são a saída. Como tudo. Tudo. Das plantas as antas. E não mudo. Mudo. Quieto serei, mas de fome não morrerei. Quanto aos vegetarianos. Seus assassinos, matam plantas, comem elas sem escrúpulo algum e nem se quer dão a dignidade de compara-las com animais. Não lhes concedem a dignidade de poder fugir, vez ou outra. Não caçam o que comem, e ainda alguns se dizem Homens.

Autoflagelo…

abril 8, 2010 Deixe um comentário

Cada coisa que se tem notícia, dos homens ultimamente só o que resta de bom é a malícia. Esta que deixa os bobos pra traz e é alegria dos espertos. Caminhos tortos, caminhos certos. Me revolta esse pesar, o comodismo. Narcisismo, ufanismo. Acomode-se, foda-se. Assim caminha a humanidade cheia de egos, idéias e vaidade. Sempre existe alguém melhor que alguém em algo, mas o ser humano insiste em ser mais que o outro, reconhecer isso é coisa de fidalgo. Fidalguia que sempre falta, a educação hoje é meramente ilustrativa, o que está em alta é a falsidade essa sim, praticada com maestria, dia após dia, pelos otários travestidos de bons moços. Essa idéia parece mais atrativa!

Até apaixonar é algo perigoso, pois zé, sempre há o que cobrar e ser cobrado. Desde o “gosto de você” até o estado enamorado. Onde estão os critérios da personalidade se foram, status dita casamentos, igreja, religião, que se explodam ela e seus sacramentos. Hoje em dia, não existe mais se quer a paixão pela própria vida. Todos abarrotados de problemas só pensam em achar para si sua saída. A luz no fim do túnel não mais empolga, será que vale realmente a pena ir para aquele lado. No pranto a mente humana dia a dia se afoga.

Quanto a paixões, sei-la, rola a questão da assistência, hoje em dia quem se apaixona não é por uma pessoa e sim pela sua conveniência. Frustração é um sentimento mais presente nas mentes do que a saudade. Para onde foi o sonho, a idéia, o desejo da tal felicidade? Perdeu-se no tempo o ser humano é assim quanto mais se elogia, cuida e pensa nele, mais ele se vangloria e se perdem na multiplicidade de pessoas e fatores externos as suas relações.

Dor é o que sinto todos os momentos, é ruim, porém nada posso fazer são esses meus sentimentos. Alguns falam que é porque sou apaixonado, outros porque sou frustrado, eu acredito que é um pouco dos dois. Pior não é o sentimento de agora e sim a certeza do que vem depois. A confusão, o fato contraditório, a idéia contrária, a falácia e a psicologia precária. Carências e persistências. Influencias e penitencias. Estamos todos fadados a isso, a final certo mesmo só a morte, para uns cedo, e um pouco mais tarde para aqueles com mais sorte.

Num dia o papo gostoso, no outro o ideal desgostoso. De que vez ou outra falta algo, me sinto dentro de uma aula, daquelas de redação. Onde as técnicas são similares a Jaula. Que prende o leão. Chamado popularmente de mente, de cérebro, de crânio, de inteligência. Doce dor que faz escrever, doce flagelo. Feito por um sorriso, muita vezes singelo. Que conquistou o pobre do homem, que fez resfriar o abdômen. Pobre, me fez lembrar a música de Dudu Nobre; “Aquele neguinho que andava, descalço na rua e ao Léo”, pois é o menestrel é guiado pelas dores, dores de seu cotidiano, nos becos vielas e cortiços. Dores causadas por uma fulana ou por um fulano, e a isso é submisso.

A verdade que tudo é culpa da acomodação humana, que valoriza de menos, quando é valorizado demais. Faz algo mais ou menos e é visto como o top dos 10 mais. De que vale a confiança? De que vale os valores aprendidos quando criança, de que vale a palavra? Hoje em dia ela é tão mutável que, o tudo que antes valia, em 5 minutos não vale mais nada. Acomode-se, foda-se. Seja preto, branco ou amarelo. Continue sendo acomodado com todos seus erros, e pratique como eu o Autoflagelo.

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